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A Raça
Histórico da RaçaHistórico da Raça
Origem e História
O Border Collie é um cão pastor britânico que há cerca de cem anos trabalha continuamente em seu país natal. Suas origens perdem-se na antiqüíssima tradição britânica dos cães de pastoreio de ovelhas, que recua a meados do século X. Na época, o lobo, principal predador das ovelhas, já não constituía uma ameaça real. No século XIV, durante o reinado de Eduardo III, enquanto se intensificavam as exportações de lã para Flandres (Hoje, planície do noroeste da Europa, aberta para o mar do Norte, é subdividida entre a França, a Bélgica e a Holanda) e se começava a explorar os pântanos do norte da Inglaterra, da fronteira anglo-escocesa e do País de Gales, (O Reino Unido é constituído por quatro "países": Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales, cada um com a sua própria cultura e o seu próprio patrimônio) o cão pastor já fazia parte dessa paisagem britânica. Auxiliar indispensável do agricultor e do pastor, esse Collie reunia as ovelhas meio selvagens nas colinas e tocava-as para os mercados rurais, ou então vigiava os animais nos currais.
Um século mais tarde, na escócia, o termo collie tinha se tornado sinônimo de cão de pastoreio. Sobre as origens dessa palavra existem diferentes opiniões. No entanto, o mais provável é que collie venha do nome dado às ovelhas de focinho preto - as coalies - cuja vigilância era confiada aos chamados coalies dogs, uma expressão que talvez tenha sofrido contração para coalies e, por fim, se transformou em collies.
A seleção do Border Collie serviu-se da seleção de outras raças mais populares na época, em particular o Show Collie, ou collie de exposição, universalmente apreciado atualmente (Collie Pêlo Longo). Na primeira metade do século XIX, os Collies, pelo menos os mais bonitos, que tinham as cores mais vistosas e o pêlo mais espesso, eram mais procurados pelas pessoas da cidade para servirem como animais de companhia. No campo, ficavam os cães de aspecto mais comum e aqueles que melhor resistiam ao trabalho, produtivo demais para que os agricultores os vendessem. E, de fato, o BORDER COLLIE conservou sua silhueta de mestiço rústico, proveniente de múltiplos cruzamentos e resultado sabe-se lá de que acasos ou necessidade.
Comportamento
O Border Collie é exclusivamente um cão de rebanho e seus apreciadores fazem o possível para que continue sendo. Trabalhador acima de tudo, dando provas diárias de uma enorme vitalidade, ansioso para desempenhar as tarefas para as quais foi criado, para desempenhar as tarefas para as quais foi criado, existe em quase todos os lugares do mundo em que a criação de ovelhas é uma atividade de primeira grandeza.
O comportamento do Border Collie caracteriza-se por submissão total ao dono e extraordinária aptidão para reunir os rebanhos. A submissão observa-se desde muito pequeno, praticamente a partir do desmame. Esse cão gosta de obedecer ao dono. Por isso pode-se começar o treinamento mais cedo do que com as outras raças. Mas essa docilidade diminui com a idade, e o border de um ano que não tiver conhecido a autoridade de um dono será muito mais independente.
Todos os cães pastores são instintivamente excelentes para reunir rebanhos, mas tal instinto, que na realidade é uma derivação do instinto de caça, é particularmente desenvolvido no Border Collie. Em geral, isso se revela entre os três e os seis meses de idade, às vezes um pouco mais tarde, dependendo das oportunidades que teve o filhote. Esse período corresponde àquele em que o cão de caça jovem se "inicia". Observa-se até filhotes no fim do desmame que já mostravam as aptidões características do cão de rebanho.
A maneira intensa como o Border Collie olha para as ovelhas, enquanto se aproxima delas, rastejando como um felino, é típica da raça. Os ingleses dizem que esse cão tem "the eye"(ou seja, tem "olho"), uma particularidade que deve ser desenvolvida.
O Border Collie tem um faro muito apurado, e isso, à primeira vista, pode parecer pouco importante num cão pastor. Mas é o faro que lhe permite localizar com exatidão as ovelhas no espesso nevoeiro tão tipicamente britânico. Muitos pastores lembram as proezas de alguns cães que, graças ao faro, encontraram rebanhos perdidos ou presos na neve.
Apesar de seu físico pouco impressionante, o Border Collie desenvolve uma atividade muito intensa durante o desempenho de suas funções: reunir várias centenas de "Coallies" vigorosos, selvagens, que se movimentam por muitos hectares nas highlands é um exercício extenuante que só um atleta completo pode realizar. Na Nova Zelândia, os donos dos rebanhos localizam os animais em avião antes de irem de moro até onde eles estão, com o cão sendo sobre o tanque de gasolina. O Border percorre às vezes uma centena de quilômetros, numa só jornada, para agrupar rebanhos que podem passar de cinco mil cabeças.
Desde que a raça foi oficialmente reconhecida pelo The Kennel Club, participa cada vez mais das provas de adestramento, obediência e agilidade, nas quais as suas qualidades e manejabilidade e flexibilidade, tanto físicas como psíquicas, lhe permitem chegar aos primeiros lugares do pódio.
O Border Collie é muito reservado com os estranhos, sem que isso signifique que tenha alguma predisposição particular para a guarda e a defesa, ao contrário de outras raças. Mas destaca-se tanto na sua especialidade que não se pode criticá-lo por não ter essa característica.
A inteligência
A inteligência dos cães da raça border collie sempre foi motivo de destaque em diversas pesquisas, recentemente,. O cão Rico, da raça border collie, foi ensinado a pegar e entregar diferentes objetos a seus donos, que distribuíram diversos brinquedos e bolas em seu apartamento e pediram que o animal apanhasse itens específicos. Gradualmente, Rico aumentou seu vocabulário para cerca de 200 palavras que ele conseguia associar a objetos.
Para garantir que os donos de Rico não estavam dando a ele pistas subconscientes que o ajudavam a encontrar o item correto, Julia Fischer e sua equipe ao Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, Alemanha, testaram o conhecimento de Rico em laboratório, onde ele pegou 37 de 40 itens corretamente. "O 'tamanho do vocabulário' de Rico é comparável àquele de macacos, golfinhos, leões marinhos e papagaios treinados", escreveram os autores do estudo publicado na revista Science.
A equipe testou a capacidade de Rico de empregar o mapeamento rápido, um processo neurológico que crianças pequenas usam para adivinhar rapidamente o significado de novas palavras. Os cientistas colocaram um objeto desconhecido em uma sala com outras coisas que o animal conhecia e, sem ensinar a Rico o nome do novo item, pedirem que ele o pegasse. Em dez tentativas, ele pegou o objeto correto sete vezes.
Quatro semanas depois, os pesquisadores avaliaram a capacidade de Rico de lembrar o que havia aprendido. Os objetos que ele havia visto apenas uma vez durante o experimento anterior foram colocados entre oito itens - alguns familiares e outros completamente novos. Nesse teste, Rico pegou o item correto em três de seis tentativas, uma façanha de aprendizagem nunca vista antes em um cachorro. A performance de Rico foi comparável à de uma criança de 3 anos, observaram os cientistas.
Fischer e sua equipe destacaram que não têm certeza ainda se Rico é excepcionalmente esperto ou excepcionalmente bem treinado. Mas esperam poder usar esse experimento para investigar como o cérebro aprende a entender palavras. As habilidades de compreensão de Rico mostram que os processos que o cérebro utiliza para discernir palavras não são os mesmos empregados para produzir a fala, segundo os pesquisadores. "Você não precisa saber falar para entender muito", diz Fischer.
Border Collie no Brasil
Em 1995 chega no Brasil, a cachorra Bridacre Emily, uma border collie de pelagem exuberante e marcação clássica, trazida pelo escocês James McDonald e por sua mulher brasileira Cláudia MacDonald. Esta foi a primeira aparição de um Border Collie em uma exposição de beleza da CBKC (Confederação Brasileira de Kenneis Clubes).
A criação da raça Border Collie vem crescendo assustadoramente nos últimos anos, segundo dados da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) em 2001 foram registrados 169 filhotes sendo a 51. raça mais criada no Brasil, já em 2002 houve um salto para a 32. posição com 492 filhotes registrados, e continuou crescendo em 2003 para 653 filhotes sendo a 29.° raça mais registrada.
O risco que a banalização desta raça corre é o incremento de seu comportamento hiperativo, que não o indica como um exemplar simplesmente de companhia, conforme já destacamos anteriormente é uma raça de trabalho que exige doses diárias de exercícios e assim, responsáveis que tenham tempo e disposição para suprir esta necessidade, pois caso contrário poderão tornar o border num destruidor do lar e com sérios problemas comportamentais.